PL reage a fake news contra Marcos Rogério e Flávio Bolsonaro e aciona a Polícia Federal

Partido pede investigação urgente sobre documento que atribui às duas lideranças um suposto plano de corte de direitos dos servidores e aponta tentativa de interferir na eleição presidencial.

PL reage a fake news contra Marcos Rogério e Flávio Bolsonaro e aciona a Polícia Federal

O Partido Liberal de Rondônia protocolou nesta sexta-feira (16/10) uma notícia-crime na Polícia Federal para apurar a fabricação e a circulação de um documento que atribui a Marcos Rogério e Flávio Bolsonaro um plano de retirada de direitos dos servidores públicos. A legenda denuncia o material como falso e pede a identificação dos responsáveis por sua elaboração e divulgação consciente em grupos de WhatsApp.

A iniciativa leva à esfera criminal a reação do PL a uma publicação que, segundo o partido, procura atingir simultaneamente o governador eleito de Rondônia e o candidato à Presidência da República. A notícia-crime sustenta que o material associa os dois a medidas impopulares para provocar insegurança entre servidores e influenciar o eleitorado na disputa presidencial.

Intitulado “Tesouraço Estadual — Serviço Público”, o arquivo tem 41 páginas e é apresentado como uma minuta da equipe de transição de Marcos Rogério, com providências supostamente aprovadas em conjunto com Flávio Bolsonaro. Segundo a denúncia, o uso das marcas das duas lideranças e a referência a uma aprovação política foram utilizados para dar aparência de autenticidade a um texto produzido por terceiros.

Marcos Rogério já havia desmentido publicamente o conteúdo em suas redes sociais. Conforme registrado na notícia-crime, o governador eleito afirmou que o documento não foi elaborado por ele, não foi produzido por sua equipe e não representa seu plano de governo. A negativa também foi repercutida pela imprensa.

Para o PL, o ataque não se encerra na imagem de Marcos Rogério: alcança diretamente a candidatura de Flávio Bolsonaro. A peça argumenta que, embora a disputa pelo governo estadual já tenha sido concluída, a associação entre o futuro governo de Rondônia e a candidatura presidencial mantém o caráter eleitoral da divulgação. A preocupação apresentada é que o eleitor seja levado a decidir com base em compromissos que o documento falsamente atribui aos dois.

O argumento central da notícia-crime é que não se trata de crítica política ou de divergência sobre propostas de governo. Segundo o partido, a fraude está em fabricar a autoria e a aprovação de um documento, fazendo o público acreditar que teve acesso a decisões internas das equipes de Marcos Rogério e Flávio Bolsonaro. A aparência técnica do arquivo seria justamente o instrumento para conferir credibilidade à desinformação.

Na Polícia Federal, o PL pede que a apuração não fique restrita aos últimos compartilhamentos identificados. A legenda requer análise técnica dos arquivos, identificação dos responsáveis pelos envios, depoimentos e reconstrução do caminho percorrido pelo material, buscando esclarecer quem o produziu, quem determinou sua distribuição e quem o divulgou sabendo da falsidade. Também solicita a investigação de eventual atuação coordenada, caso surjam elementos concretos nesse sentido.

O pedido aponta possível prática de crime eleitoral e de falsidade documental para fins eleitorais. A notícia-crime ressalta que a responsabilidade de cada envolvido deve ser individualizada, inclusive quanto ao conhecimento da falsidade, e solicita a preservação urgente das provas digitais e a comunicação ao Ministério Público Eleitoral.

“A divergência política permite contestar propostas, cobrar compromissos e criticar candidatos. Não autoriza fabricar documentos em seus nomes e fazê-los circular como se fossem verdadeiros”, afirma a notícia-crime, subscrita pelo advogado Nelson Canedo.

Com a medida, o PL busca transformar o desmentido público em apuração dos responsáveis, sustentando que a disputa eleitoral deve ocorrer sobre propostas reais — e não sobre fake news fabricadas em nome de candidatos.

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