Os poemas satânicos de Karl Marx, um dos principais pensadores da esquerda

Pouca gente sabe, mas antes de se tornar o teórico do comunismo, Karl Marx (o autor mais citado nas faculdades públicas) escreveu poesia. Não são poemas políticos. Não são críticas sociais. São textos sombrios, marcados por imagens de rebelião contra Deus, pacto, perdição e destruição. Leia os poemas. Depois tire suas próprias conclusões.

Os poemas satânicos de Karl Marx, um dos principais pensadores da esquerda

Entre 1836 e 1838, Karl Marx escreveu uma série de poemas sobre rebelião contra Deus e o céu, revelando fascínio pela queda, pelo inferno e pela perdição, além de desprezo pela ordem moral tradicional e desejo de dissolução, destruição e caos. A linguagem é marcada por pacto, maldição e fatalismo. 

Esses textos surgem antes do marxismo, antes da militância política e antes da crítica econômica. Ainda assim, já indicam uma ruptura profunda, não apenas intelectual, mas moral e espiritual. 

Os poemas a seguir não explicam diretamente o marxismo, mas ajudam a compreender o tipo de imaginação, revolta e ambição que o antecedem.

"Der Spielmann" (o menestrel) por Karl Marx 

Assim o céu eu perdi, Eu sei disso muito bem. Minha alma, outrora fiel a Deus, foi marcada para o inferno. 

Com desprezo eu lanço meu desafio aos mundos elevados. As canções que toco no violino são hinos de triunfo do mal. 

Vê como o sangue escorre da lâmina cravada no coração. O violino sangra comigo, unidos na mesma maldição. 

O inferno me deu o arco, o diabo ensinou-me a tocar. Com notas febris e selvagens eu sei os homens conduzir. 

Enquanto toco, dançam todos ao som da perdição. Meu violino ri em chamas, meu riso é condenação. 

"Invokation eines Verzweifelten" (Invocação de um desesperado) por Karl Marx 

Assim, um deus perdeu o céu, Eu sei disso muito bem. Minha alma, antes fiel a Deus, está agora destinada ao inferno. 

Não resta esperança, não resta luz, o mundo jaz despedaçado. Tudo o que floresceu em mim foi ao pó condenado. 

Ergo-me contra o trono eterno, lanço desprezo aos céus. Que se quebre o mundo inteiro, pois não mais sirvo a Deus. 

"Verzweiflung" (Desespero) por Karl Marx 

Tudo o que existe merece perecer, pois nada é digno de permanecer. O mundo é um teatro vazio onde nada permanece. 

Que o fogo consuma a criação, que o nada tome seu lugar. Não busco salvação alguma, só o fim pode me libertar. 

Se há um sentido oculto em tudo, que ele seja esmagado aqui. Prefiro o caos absoluto a viver de joelhos. 

"Das bleiche Mádchen" (A Donzela Pálida) por Karl Marx 

Ela surgiu pálida na noite fria. Com olhos fundos, sem calor. Seu beijo trazia o silêncio que antecede toda dor. 

Amei-a como se ama a morte, sem promessas, sem amanhã. Seu toque era doce e vazio como um túmulo ao amanhecer. 

Quando partiu, levou consigo tudo o que em mim restava de luz. Desde então caminho sozinho onde nenhuma esperança reluz. 

Por jessiqueofc HlronyOff 

Fonte primária: https://www.marxists.org/archive/marx/works/1837-pre [verse/index.htm