EUA preparam classificação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras

EUA preparam classificação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, está nos estágios finais para designar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, segundo reportagem exclusiva da colunista Mariana Sanches, do UOL, publicada neste domingo (8).

A documentação sobre os dois grupos já foi finalizada no Departamento de Estado, passou por revisão de diversas agências federais americanas e segue o mesmo modelo adotado recentemente para outros grupos transnacionais da América Latina, como o Cartel de Jalisco Nueva Generación (México) e o Tren de Aragua (Venezuela). 

Após aprovação final do secretário de Estado Marco Rubio, o material será encaminhado ao Congresso e publicado no Registro Federal, processo que pode levar cerca de duas semanas. O anúncio oficial é esperado nos próximos dias.

A medida integra a estratégia ampliada da administração Trump contra o "narcoterrorismo", iniciada em 2025 com a designação de diversos cartéis mexicanos, MS-13 e outras organizações como FTOs e SDGTs (Specially Designated Global Terrorists). Essa classificação permite congelamento de bens e ativos nos EUA (ou sob controle americano), proibição de transações financeiras, restrições de visto, barreiras migratórias e maior facilidade para sanções via Office of Foreign Assets Control (OFAC) do Tesouro. 

Indivíduos ou empresas que prestem "apoio material" (mesmo indireto) podem enfrentar ações judiciais sob leis antiterrorismo americanas.

No Brasil, o governo Lula rejeitou repetidamente pedidos semelhantes dos EUA em 2025, argumentando que PCC e CV são organizações criminosas motivadas por lucro (tráfico de drogas e controle territorial), e não por ideologia política — o que não se enquadra na Lei Antiterrorismo brasileira. 

Em maio de 2025, uma delegação americana foi rechaçada pelo Ministério da Justiça. Promotores como Lincoln Gakiya (Gaeco-SP) e secretários de segurança (como Guilherme Derrite, de São Paulo, e do Rio) defenderam a medida em contatos com os EUA, destacando benefícios em inteligência e sanções.

Países vizinhos, como Paraguai e Argentina, já classificaram as facções como terroristas em 2025. A designação unilateral pelos EUA pode elevar tensões diplomáticas com o Brasil, mas também intensificar a cooperação internacional no combate ao crime organizado transnacional.

Especialistas alertam que a medida representa uma escalada no enfrentamento ao narcotráfico na região, com impactos potenciais no sistema financeiro, imigração e relações bilaterais. O Itamaraty monitora o tema de perto, mas até o momento não há confirmação oficial de conversas diretas entre o chanceler Mauro Vieira e Marco Rubio sobre o assunto.

O governo brasileiro mantém que a soberania nacional deve ser preservada e que o combate às facções deve ocorrer por vias policiais e judiciais internas.

Com informações de UOL e Jornal da Direita Online