Contrariando Lula, maioria da população defende classificar PCC e CV como “terroristas”
Mais da metade dos brasileiros considera positiva a decisão recente dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações “terroristas”, mostra pesquisa PoderData realizada de 30 de maio a 1º de junho de 2026. Para 53%, a medida é “boa para o Brasil”
Outros 33% classificam como “ruim” para o país e 14% não souberam responder.
O anúncio da decisão foi feito pelos EUA na 5ª feira (28.mai.2026), poucos dias depois de o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ter se reunido com o presidente Donald Trump (Partido Republicano) no Salão Oval, na Casa Branca. Segundo o congressista disse ao sair do local, o encontro teve como pauta central a articulação para os EUA classificarem oficialmente as facções brasileiras como organizações terroristas.
A decisão norte-americana tem implicações eleitorais no Brasil, uma vez que os dados reforçam que a segurança pública tende a ser uma das pautas centrais da eleição de 2026.
Quando a medida dos EUA foi anunciada, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evocou o discurso da soberania, argumentando que a medida abriria espaço para interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
O problema para o Planalto é que esse argumento é difícil de ser entendido por parte majoritária da população. A expressão “terrorismo” é fácil de ser compreendida. O contato cotidiano dos brasileiros, sobretudo em grandes centros urbanos, é com o medo da violência e da expansão do crime organizado. Nesse ambiente, o eleitor tende a avaliar a medida menos sob a ótica diplomática e mais pela promessa de combate às facções.
Para aliados e adversários de Flávio, a decisão foi interpretada como resultado da viagem do senador a Washington e de sua aproximação com Donald Trump. Se essa percepção se consolidar, o congressista poderá colher dividendos políticos ao se associar a uma agenda de enfrentamento ao crime.
Nesta semana, entretanto, o roteiro político ganhou um novo elemento de complexidade. Na 2ª feira (1º.jun.2026), o governo dos Estados Unidos voltou a impor uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. A alegação é de que o país teria adotado práticas consideradas desleais e prejudiciais para empresas norte-americanas.
Como os Bolsonaros defenderam medidas tarifárias semelhantes em 2025 e Flávio vinha sendo associado à interlocução com a Casa Branca, parte do custo político da decisão pode acabar recaindo também sobre sua candidatura.
Por ora, a pesquisa PoderData mostra que há duas forças atuando em direções opostas: a pauta da segurança favorecendo Flávio e a pauta econômica criando um potencial passivo. A próxima rodada de pesquisas mostrará qual delas terá mais peso na percepção do eleitor.
A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Os dados foram coletados de 30 de maio a 1º de junho de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. Foram 2.500 entrevistas em 166 municípios nas 2/ unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%.
Para chegar a 2.500 entrevistas que preencham proporcionalmente (conforme aparecem na sociedade) OS grupos por sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas. Muitas vezes, são mais de 100 mil ligações até que sejam encontrados os entrevistados que representem de forma fiel o conjunto da população. Saiba mais sobre a metodologia lendo este texto.
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