Saltos inexplicáveis nas contas de água em Ji-Paraná provocam reação firme de autoridades locais e estaduais

Saltos inexplicáveis nas contas de água em Ji-Paraná provocam reação firme de autoridades locais e estaduais

Ji-Paraná (RO) – A rotina de moradores de Ji-Paraná foi interrompida por um problema que ninguém esperava: contas de água com reajustes desproporcionais, muitas delas sem explicação técnica ou aviso prévio. Talões que normalmente vinham com valores como R$ 28, R$ 57 ou R$ 277, de repente passaram a registrar R$ 820 ou até mais. A surpresa virou indignação — e rapidamente chegou às autoridades.

A secretaria municipal de obras (SEMOSP), por exemplo, recebeu uma cobrança de mais de R$ 14 mil, quando o valor médio era de R$ 2.700,00. Em muitos bairros, famílias que tinham consumo básico foram penalizadas com tarifas impraticáveis.

Diante do cenário, o prefeito Afonso Cândido, o presidente da AGERJI (Agência Reguladora Municipal), Fábio Gonçalves, e o deputado estadual Laerte Gomes protagonizaram uma reação rápida e articulada que resultou na suspensão imediata das cobranças.

Prefeito Afonso Cândido determinou a apuração

Segundo o prefeito, assim que soube dos aumentos, pediu à agência reguladora que iniciasse uma apuração detalhada:

“Foi uma surpresa revoltante. Quando vi que uma conta de R$ 57 havia pulado para mais de R$ 800, e que até órgãos da Prefeitura estavam recebendo cobranças absurdas, pedi à AGERJI que apurasse tudo. A população não pode ser penalizada assim.”

AGERJI confirmou falhas e cobrou providências

De acordo com Fábio Gonçalves, presidente da AGERJI, as análises técnicas demonstraram falhas graves na aplicação do reajuste tarifário, incluindo cobranças por esgoto em locais onde o serviço sequer existe:

“Verificamos erro sobre erro: metodologia mal aplicada, tarifa fora do padrão e cobranças indevidas. Nossa posição foi clara: suspender tudo e corrigir. E quem já pagou, deve receber o valor de volta, na conta bancária.”

A orientação da agência é clara: quem recebeu conta com valor elevado deve procurar a CAERD em Ji-Paraná para emissão de novo talão com valores corrigidos.

Laerte Gomes acionou o governo e o governador determinou correção

O deputado estadual Laerte Gomes, após receber os relatórios da AGERJI, levou o caso ao governador Marcos Rocha, por meio do chefe da Casa Civil, Elias Rezende.

“Conversei com o governador e ele foi categórico: esse reajuste não tem respaldo. Ele determinou à presidência da CAERD que suspendesse imediatamente essas cobranças e corrigisse tudo. E quem pagou com base nesses valores absurdos deve ter o dinheiro devolvido.”

A atuação conjunta do município e do Estado mostra que, quando há vontade política e responsabilidade técnica, é possível proteger a população de abusos — mesmo diante de concessionárias que atuam com pouco diálogo e baixa transparência.