Logo após Irã anunciar execução de manifestante "ao vivo" como exemplo de punição, governo Lula diz que "cabe apenas aos iranianos decidir sobre o futuro de seu país"

O ministério disse ainda que não há registros de brasileiros mortos ou feridos no Irã.

Logo após Irã anunciar execução de manifestante "ao vivo" como exemplo de punição, governo Lula diz que "cabe apenas aos iranianos decidir sobre o futuro de seu país"

O governo do Irã informou familiares de Erfan Soltani, de 26 anos, que ele será executado nesta quarta-feira, 14. As forças de segurança detiveram o jovem durante protestos contra o regime, intensificados nas últimas semanas. A Organização Hengaw para os Direitos Humanos divulgou a informação. 

Segundo a entidade, os parentes receberam apenas o aviso da execução. Não houve esclarecimento sobre a data do julgamento, tampouco sobre as acusações formais. Soltani foi preso na quinta-feira 8, em meio à repressão aos atos de rua. 

Para a Hengaw, a velocidade do caso não tem precedentes. “ Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente”, afirmou Awyar Shekhi, da organização, à rede britânica BBC. “O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo.” 

Mortes no Irã e repressão sob apagão digital 

A dimensão da violência ainda é incerta. O regime impôs um bloqueio quase total da internet, o que dificulta a checagem independente. Mesmo assim, iranianos que conseguiram contato com o exterior relatam cenas de destruição e alto número de vítimas. 

Estimativas conservadoras falam em cerca de 650 mortos. Uma fonte do governo, ouvida sob anonimato pela Reuters, mencionou até 2 mil vitimas. Grupos internacionais de direitos humanos trabalham com projeções mais amplas. A Iran Human Rights, com sede na Noruega, citou números que chegam a 6 mil mortos e 10 mil detidos. 

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou que acompanha com preocupação a evolução das manifestações no Irã, que já teria deixado cerca de 2 mil pessoas mortas. 

"O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas. Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", diz a nota publicada nesta terça-feira (13). 

A pasta disse ainda que não há registros de brasileiros mortos ou feridos no país iraniano. 

Com informações de Revista Oeste e Zero Hora