O PL do "Apocalipse Digital" reacende alerta sobre censura
Projeto que amplia regulação das redes sociais deve gerar impactos nas eleições gerais de 2026.
Em mais uma investida preocupante contra um dos pilares fundamentais da democracia brasileira, a liberdade de expressão — consagrada no artigo 5º da Constituição Federal —, o governo Lula e aliados de esquerda na Câmara dos Deputados tentam emplacar o Projeto de Lei 4675/2025, apelidado pela oposição de PL do "Apocalipse Digital".
O texto, que ganhou urgência para votação recente, disfarça-se de "defesa da concorrência" ao ampliar poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), mas na prática abre caminho para interferência estatal em plataformas digitais, algoritmos e conteúdos online.
O CADE, órgão subordinado ao Ministério da Fazenda e historicamente suscetível a aparelhos políticos, ganharia uma "Superintendência de Mercados Digitais" com atribuições amplas para regular big techs como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook, TikTok e outras.
Isso incluiria poderes para interferir em contratos, tecnologias, modelos de negócio e, especialmente grave, nos algoritmos que determinam o que bilhões de brasileiros veem em suas timelines diariamente. A alerta recai nos mecanismos que podem ser usados para "modular visibilidade de conteúdos", limitar alcance de vozes conservadoras ou até impor remoções indiretas sob pretexto de "concorrência desleal" ou "desinformação".
A direita brasileira, que hoje domina numericamente as redes sociais e possui uma presença orgânica muito superior — com milhões de seguidores em perfis alinhados ao liberalismo, conservadorismo e patriotismo —, tem muito mais a dizer e a expor.
É exatamente por isso que parlamentares de esquerda e o governo pressionam por regulações cada vez mais restritivas: não suportam o debate livre e o contraditório que as plataformas permitem hoje. Enquanto a esquerda tradicional depende de veículos de mídia alinhados e estatais, a direita construiu uma base sólida e autêntica nas redes, onde fatos, críticas ao establishment e denúncias contra corrupção circulam sem filtros ideológicos impostos por cima.
O timing não é coincidência: com as eleições gerais de 2026 se aproximando, o PL surge como ferramenta estratégica para equilibrar o jogo em favor do governo. Deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e aliados do Partido Novo, que listaram 13 riscos graves do projeto — incluindo censura disfarçada de concorrência, inibição de inovação e controle estatal sobre a informação —, conseguiram, por ora, barrar a urgência e retirar o texto de pauta. Mas a ameaça persiste: o governo Lula não desiste de empurrar adiante mecanismos que, na prática, silenciem vozes dissonantes.
A Constituição é clara: a liberdade de expressão só pode ser limitada em casos excepcionais, por decisão judicial fundamentada, nunca por agência reguladora ou interesse político. Qualquer tentativa de transferir ao Estado poderes para "regular" o que circula nas redes equivale a um retrocesso autoritário, incompatível com uma democracia madura.
Enquanto o PL das Fake News (2630/2020) segue engavetado graças à resistência popular e parlamentar, o "Apocalipse Digital" representa a nova roupagem da mesma agenda: controlar a narrativa para sobreviver eleitoralmente.
A sociedade brasileira, especialmente os conservadores e liberais que valorizam o debate aberto, deve permanecer vigilante. A liberdade de expressão não é negociável — é o oxigênio da democracia. Qualquer tentativa de sufocá-la, ainda que embalada em jargões técnicos, deve ser combatida com firmeza.

