Sexta-feira 13 - STF iniciará julgamento de caso sombrio que abalou os alicerces da República
Centrão articula nos bastidores pela soltura de Daniel Vorcaro para evitar delação que expõe relações políticas.
Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, em sessão virtual, o julgamento que decidirá se mantém a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e ex-controlador do Banco Master. A decisão monocrática foi proferida pelo ministro André Mendonça no dia 4 de março, atendendo a pedido da Polícia Federal na quinta fase da Operação Compliance Zero.
A investigação aponta Vorcaro como líder de uma organização criminosa envolvida em fraudes bilionárias no mercado financeiro, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, corrupção ativa de servidores do Banco Central, além de ameaças, monitoramento de rivais e uso de "milícia privada" para interferir nas apurações. Além dele, foram presos preventivamente outros investigados, como Fabiano Zettel e um ex-policial federal.
O julgamento ocorre no plenário virtual, com votos abertos a partir das 10h de sexta até 20 de março. Originalmente composta por cinco ministros (André Mendonça – relator –, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli), a turma agora terá apenas quatro votantes: Toffoli se declarou suspeito nesta semana, alegando foro íntimo devido a sua ligação com Vorcaro.
Com quórum reduzido, um eventual empate (2x2) favorece o réu, conforme a Lei 14.836/2024, que aplica o princípio do in dubio pro reo mesmo em colegiado incompleto.
Isso poderia resultar na imediata revogação da prisão preventiva, permitindo que Vorcaro responda ao processo em liberdade, possivelmente com medidas cautelares como prisão domiciliar.
Nos bastidores de Brasília, políticos do Centrão intensificaram articulações para mapear votos na turma e construir cenários favoráveis à soltura. A motivação principal, segundo relatos de colunistas e fontes ouvidas por veículos como G1, Brasil 247 e Termômetro da Política, é evitar que Vorcaro firme delação premiada.
Uma delação poderia expor nomes e relações incômodas envolvendo o bloco político, agravando a crise institucional em ano eleitoral.
O caso Master já arrasta o STF para o centro de polêmicas, com vazamentos de mensagens trocadas por Vorcaro com ministros (incluindo Alexandre de Moraes, negadas pela Corte), pedidos de CPI no Senado contra Moraes e Toffoli, e debates sobre reforma do tribunal.
O placar final definirá não apenas o destino de Vorcaro, mas o tom da credibilidade do STF em meio a um dos escândalos financeiros mais graves da história recente do país. O resultado será acompanhado de perto por mercado financeiro, política e opinião pública.
De acordo com reportagens recentes (baseadas em mensagens de celular apreendidas pela PF na Operação Compliance Zero, quebras de sigilo, contatos no WhatsApp e delações em negociação), vários nomes do Centrão (e aliados) aparecem em conexões com Vorcaro. O temor de uma delação premiada é o principal motivo da articulação pela soltura dele.
Principais nomes e partidos destacados:
Ciro Nogueira (PP-PI, presidente nacional do PP): Chamado de "grande amigo de vida" por Vorcaro em mensagens; ofereceu carona de helicóptero; apresentou a "emenda Master" (proposta para aumentar garantia do FGC).
Hugo Motta (Republicanos-PB, presidente da Câmara): Citado em mensagens sobre jantares e encontros; contato salvo no celular de Vorcaro.
Antônio Rueda (presidente do União Brasil): Recebeu oferta de carona de helicóptero de Vorcaro em 2024 (GP de F1); partido ligado ao bloco.
Davi Alcolumbre (União-AP, presidente do Senado): Contato salvo no celular; menções em mensagens.
Arthur Lira (PP-AL, ex-presidente da Câmara): Contato no WhatsApp de Vorcaro.

