Relator da CPI do Crime Organizado pede convocações de esposa de Moraes, irmãos de Toffoli, Vorcaro e sócios do Master
Alessandro Vieira (MDB-SE) também solicitou relatórios do Coaf sobre movimentações financeiras de empresas de Viviane Barci de Moraes e do Master. Requerimentos ainda precisam ser aprovados pela comissão.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, pediu as convocações da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes; dos irmãos do ministro Dias Toffoli; do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; e de sócios da instituição financeira.
Os requerimentos foram apresentados na última segunda-feira (2), data da reabertura do ano legislativo no Congresso Nacional, e ainda precisam ser aprovados pela comissão. A próxima reunião do colegiado está agendada para o dia 10 de fevereiro.
No total, Alessandro Vieira apresentou 14 requerimentos. Entre os quais, as convocações de:
• Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa de Moraes;
• José Carlos Dias Toffoli, irmão de Toffoli;
• José Eugênio Dias Toffoli, empresário e irmão de Toffoli;
• Mario Umberto Degani, empresário;
• Daniel Vorcaro, dono do Banco Master;
• Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master;
• Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master.
O relator da CPI do Crime Organizado também pediu relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações financeiras do:
Alessandro Vieira ainda solicitou à Direção do Senado os registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Master, na Casa Legislativa.
Contrato milionário com o Master
No pedido de convocação da esposa de Moraes, Alessandro Vieira afirma que documentos preliminares e informações de inteligência financeira "indicam a existência de um contrato de honorários no valor de R$ 129 milhões celebrado entre o Banco Master e Barci de Moraes Sociedade de Advogados".
O parlamentar também destaca, no requerimento, que o escritório foi contratado dois meses antes da liquidação do Master pelo Banco Central, que ocorreu em novembro.
E diz que há suspeitas de que o Banco Master "teria sido capitalizado por meio de fraudes e recursos provenientes do tráfico de drogas, operacionalizados pela gestora CBSF DTVM (antiga Reag Trust) através da emissão de certificados de depósitos bancários (CDBs)".
Para o senador, a CPI deve investigar "possível tráfico de influência e exploração de prestígio perante as instâncias superiores do Poder Judiciário".
Em relação às convocações dos irmãos do ministro Toffoli e do empresário Mario Degani, o relator da CPI do Crime Organizado afirmou que os depoimentos foram solicitados com base em indícios de conexão entre os três e a Reag Trust, por meio de participações em um resort na cidade de Ribeirão Claro (PR).
"A intermediação de negócios envolvendo o Arleen, administrado pela CBSF (antiga Reag Trust), traz o tema para o centro do escopo da CPI. A Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou relações de lavagem de dinheiro com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ainda, segundo as notícias, o fundo Arleen tinha como único cotista o cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master", afirma Alessandro Vieira.
O parlamentar cita ainda a "existência de um cassino com mesas de blackjack e apostas em dinheiro no resort", o que pode configurar a prática de contravenção penal.
Toffoli é relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e tem tomado medidas no inquérito que são questionadas nos mundos político e jurídico.
Fonte: G1

