Senador anuncia coleta de assinaturas para CPI sobre contrato milionário envolvendo família de Moraes
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) declarou nesta segunda-feira que, após o recesso parlamentar, iniciará a coleta de assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado. O objetivo é investigar denúncias sobre um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master – atualmente em liquidação extrajudicial – e o escritório de advocacia da família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Em publicação nas redes sociais, Vieira classificou as informações como "gravíssimas". "Após o recesso vou coletar as assinaturas para investigação de notícias sobre um contrato entre o banco Master e o escritório da família do ministro Moraes, de 129 milhões de reais, fora do padrão da advocacia, além desta notícia de atuação direta do ministro em favor do banco", escreveu o parlamentar.
O contrato, assinado em janeiro de 2024, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao escritório Barci de Moraes Associados, comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e com participação de filhos do casal. As denúncias, reveladas inicialmente pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, incluem suspeitas de que o valor estaria acima dos padrões do mercado advocatício e de possível interferência direta de Alexandre de Moraes em favor da instituição financeira.
Segundo apurações jornalísticas, o ministro teria contatado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes – incluindo um encontro presencial – para pressionar pela aprovação de operações do Master, como a tentativa de venda ao BRB.
Procurados, o STF, o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Central não se manifestaram sobre as alegações até o momento.
Para instalar uma CPI no Senado, são necessárias ao menos 27 assinaturas de parlamentares, além da definição de um fato determinado a ser investigado. O anúncio ocorre em meio a outras polêmicas envolvendo o Banco Master e ministros do STF.
Com informações de O Estadão