Vereador Negão do Isaú distorce fatos ao negar condenação do pai por nepotismo

Segundo o Welinton Fonseca transita na justiça um recurso intitulado Embargos de Declaração que pode mudar a decisão do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.

Vereador Negão do Isaú distorce fatos ao negar condenação do pai por nepotismo

Na sessão legislativa desta terça-feira (24), a Câmara Municipal de Ji-Paraná recebeu formalmente a denúncia de cassação do mandato do vereador Welinton Fonseca, o “Negão do Isaú”. Em entrevista concedida ao final da sessão ao apresentador Edivaldo Gomes, o vereador declarou que seu pai, o ex-prefeito Isaú Fonseca, “não foi condenado por nepotismo”.

A fala, contudo, contraria frontalmente os autos do processo 00514/23 do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO). Em decisão unânime proferida no Acórdão APL-TC nº 00052/25, o TCE reconheceu a prática de nepotismo por parte do então prefeito Isaú Fonseca, ao nomear sua companheira, Hunaide Horitham dos Santos, para cargo comissionado na Procuradoria-Geral do Município.

A decisão foi categórica:

 • Isaú Fonseca foi multado em R$ 18.792,00;

 • Hunaide Horitham dos Santos foi multada em R$ 16.200,00;

 • Além disso, foi determinada a devolução de R$ 27.333,00 aos cofres públicos, valor pago indevidamente à servidora nomeada sem comprovação de trabalho prestado.

O tribunal verificou que a servidora sequer utilizava os sistemas internos da prefeitura, acumulando apenas 164 registros em sete meses de nomeação, o que demonstra uso esporádico e ausência de efetiva contraprestação laboral. As folhas de ponto, por sua vez, foram classificadas como “britânicas”, por apresentarem entradas e saídas idênticas todos os dias — uma prática considerada fraudulenta.

Portanto, a tentativa do vereador Welinton Fonseca de negar os fatos não resiste à realidade processual. Ainda que, segundo o parlamentar transita na justiça um recurso intitulado Embargos de Declaração que pode mudar a decisão do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia.

A condenação de seu pai e de sua madrasta é pública, documentada e baseada em provas robustas apresentadas por órgãos técnicos e pelo Ministério Público de Contas.

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