CPMI do INSS: André Mendonça Avaliará Prisão Preventiva de Envolvidos em Fraudes Bilionárias
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, instaurada para investigar fraudes bilionárias em descontos indevidos de aposentadorias e pensões, aprovou, em 1º de setembro de 2025, um pedido de prisão preventiva de 21 pessoas, sob risco de fuga, que será analisado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
A composição da CPMI reflete um embate entre governistas e oposição, com o PT e o PL tendo as maiores bancadas, com quatro representantes cada.
A CPMI aprovou a convocação de 55 pessoas, incluindo ex-ministros da Previdência como Carlos Roberto Lupi (2023-2025), Carlos Eduardo Gabas (2015), Marcelo Abi-Ramia Caetano (2016-2018), Onyx Lorenzoni (2021-2022) e José Carlos Oliveira (2022), além do atual ministro Wolney Queiroz. Também serão ouvidos dez ex-presidentes do INSS, como Alessandro Stefanutto, afastado após a Operação Sem Desconto, deflagrada em abril de 2025.
Entre os principais alvos das investigações está Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como intermediador do esquema, e o empresário Maurício Camisotti, ligado a entidades como a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec). O advogado Eli Cohen, que denunciou o esquema em 2023, também foi ouvido e detalhou o envolvimento de sindicatos e associações de fachada, como a Contag e a Cobap, que arrecadavam milhões com descontos irregulares.
O presidente da CPMI, Carlos Viana, enfatizou a busca por transparência e agilidade, prometendo um trabalho técnico e sem seletividade política. Ele destacou a necessidade de esclarecer à população como os desvios ocorreram e propor mudanças legislativas para evitar novos prejuízos. O relator Alfredo Gaspar reforçou que há indícios suficientes para as prisões, cobrando ações imediatas do STF.
O governo Lula, que ressarciu cerca de 80% dos beneficiários lesados por meio de uma medida provisória de R$ 3,3 bilhões, busca conter danos políticos, enquanto a oposição tenta associar as fraudes aos governos anteriores, especialmente o de Jair Bolsonaro.
A CPMI planeja intensificar os trabalhos, com depoimentos previstos para a próxima semana, incluindo o do ex-ministro Carlos Lupi, marcado para 8 de setembro.
A investigação, que tem prazo inicial de 180 dias, prorrogáveis, promete ser um campo de disputa política, mas com foco em punir responsáveis e proteger aposentados e pensionistas. A decisão de Mendonça sobre as prisões será crucial para o andamento do caso, enquanto a CPMI continua a buscar acesso a inquéritos da Polícia Federal e colaborações com o STF para acelerar as apurações.