Sindicatos de Policiais Civis repudiam declarações de Lula sobre devolução de celulares roubados
Diversas entidades representativas de policiais civis emitiram notas de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), feitas no dia 10 de junho durante reunião do Conselhão. O presidente sugeriu que cidadãos com celulares roubados evitem delegacias por “medo” do tipo de delegado ou policial que possam encontrar, propondo a devolução via Correios como alternativa.
Lula defendeu a medida como parte do programa Celular Seguro, após o governo identificar cerca de 2,5 milhões de aparelhos roubados. Ele argumentou que a população teria receio de entregar os dispositivos em unidades policiais.
A reação das categorias veio principalmente nesta segunda-feira (15). A Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil) classificou a fala como “inadequada, injusta e descontextualizada”, afirmando que ela transmite uma percepção equivocada sobre o trabalho das delegacias. O Sindesp (Sindicato dos Delegados de Polícia de SP) manifestou apoio integral à nota da Adepol.
Outras entidades que publicaram repúdios incluem:
• Sinpol-PE (Pernambuco), que criticou o “desconhecimento abissal” sobre segurança pública;
• SINPOLPI (Piauí);
• SINDPOC (Bahia);
• SIPESP (Investigadores de SP);
• Sindepominas e Sindpol (Minas Gerais);
• Cobrapol (Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis), que criticou generalizações.
As notas destacam o risco de desmoralização das instituições, o trabalho diário de investigação e recuperação de bens, e a necessidade de fortalecimento das polícias civis em vez de generalizações. Até o momento, pelo menos meia dúzia de sindicatos e associações se manifestaram, com possibilidade de novas adesões.
O governo ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas. O tema ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa, reacendendo o debate sobre confiança nas instituições de segurança pública.