Agro em luto - Endividamento resultaram em pelo menos 36 suicídios de produtores rurais gaúchos nos últimos anos
Em 2022 Lula disse: “O agronegócio é fascista e direitista".
Na manhã de 29 de agosto de 2025, Fernando Luis Eberhard recebeu a visita de representantes da cooperativa de crédito Sicredi na sua propriedade em Sanga Freitas, interior de Humaitá, Rio Grande do Sul com 5 mil habitantes.
Meia dúzia de homens estava ali para confiscar alguns maquinários. A dívida de Fernando era alta, e a retenção dos bens pagaria bem menos da metade dos débitos. Ainda assim, o produtor retirou-se para buscar o veículo utilizado para o plantio de soja, trigo e milho na fazenda de pequeno porte, com pouco mais de 30 hectares.
Passados cerca de dez minutos, o funcionário da cooperativa estranhou a demora e foi atrás do colono de 32 anos, casado, pai de uma bebê de dois meses e uma menina de 7 anos. O homem atravessou o pasto de mais de 40 vacas na propriedade que pertencia à família de Fernando havia quatro gerações.
O único som a quebrar o silêncio eram os latidos de Bilu, o cachorro de pele malhada da família. O funcionário seguiu o animal, atravessando um galpão de madeira que abriga as vacas para ordenha.
Bilu guiou o emissário da Sicredi a um local a poucos metros da residência de Fernando. Era a casa da irmã dele, Patrícia, 36 anos, que se encontrava vazia. Naquele dia, a primogênita do casal Eberhardt estava com a mãe, Marlise, 5/7, em Três Passos, cidade próxima.
Perto de um pequeno galpão de madeira, cheio de ferramentas e materiais utilizados no campo, Bilu deu um último latido. Ao entrar no cubículo, o homem deparou-se com corpo de Fernando pendurado em uma corda, já sem vida. Apesar de tentar reanimá-lo cortando o laço, aqueles poucos minutos de ausência foram suficientes para o colono consumar a terrível decisão.
Embaixo dele, um galão caído ao chão, possivelmente usado por Fernando, de 1,75 metro, para ganhar altura ao amarrar a corda em uma das escoras de madeira que sustentam o teto da construção.
Contexto importante:
O agronegócio é responsável por cerca de 25-30% do PIB brasileiro, gera superávits recordes na balança comercial, emprega milhões (direta e indiretamente) e coloca o Brasil como um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo (soja, carne, milho, café, açúcar etc.). Mesmo com críticas de Lula, o setor continuou crescendo em vários anos do governo dele.
O endividamento dos produtores rurais e pecuaristas no Brasil encontra-se em nível elevado e preocupante em 2026, com a inadimplência no crédito rural atingindo recordes históricos: 7,3% em janeiro de 2026 (maior desde 2011), superando os 2,7% de um ano antes, e chegando a mais de 11-13,5% nas operações com taxas de mercado livre.
Esse cenário resulta principalmente da combinação de juros altos (Selic elevada e taxas do Plano Safra 2025/26 mais caras), queda nos preços de commodities (como soja), custos de produção elevados, problemas climáticos recorrentes e expansão anterior de dívidas durante o ciclo de preços altos.
Em agosto de 2022 em entrevista, Lula questionando o segmento disse que o "agronegócio é fascista e direitista" ao defender as políticas ambientalistas.
Com informações de Revista Oeste

