Câmara Municipal de Ji-Paraná decide nesta quinta-feira futuro político do vereador Wellington Fonseca, o “Negão do Isaú”
O vereador Wellington Porgeres Góes da Fonseca, conhecido popularmente como “Negão do Isaú”, será julgado pelo plenário da Câmara Municipal de Ji-Paraná em sessão marcada para esta quinta-feira. O parlamento vai deliberar se mantém ou cassa o mandato do parlamentar, alvo de dois processos políticos: um por agressões verbais contra colegas de plenário e outro em razão de denúncias de corrupção, desvendado pela Operação Arcana Revelada, conduzida pela Polícia Civil - DRACO e pelo Ministério Público de Rondônia.
De acordo com as investigações, Wellington teria participado de um esquema para cobrar propina em troca da aprovação de uma proposta legislativa que favorecia o pagamento do biênio dos profissionais da educação.
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Passado marcado por conflitos
Não é a primeira vez que o vereador se envolve em polêmicas. Durante a legislatura 2021-2024, Wellington comandou a Câmara em dois biênios consecutivos. Nesse período, foi acusado de desrespeitar as normas regimentais, tratar colegas de forma hostil e agir em sintonia com seu pai, o então prefeito Isaú Fonseca.
Pai e filho foram protagonistas de uma das fases mais turbulentas da política local. Isaú acabou afastado da Prefeitura em duas ocasiões — a primeira na Operação Horizonte de Eventos e outra na Operação Arcana Revelada — e também figurou como investigado na Operação Colapso, deflagrada no início de sua gestão. Até hoje, o ex-prefeito segue respondendo por suspeitas de corrupção.
Já Wellington chegou a ser afastado temporariamente da presidência da Câmara, primeiro por ordem judicial e, depois, por decisão unânime de seus próprios colegas de parlamento. Apesar desses episódios, não perdeu o mandato de vereador.
As sucessivas crises políticas e jurídicas originadas por Isaú e Wellington foram parar diversas vezes no Poder Judiciário, onde ambos receberam duras reprimendas de magistrados da comarca, que apontaram a postura truculenta e conturbada na condução do Legislativo.
Retaliações contra opositores
Na condição de presidente, Wellington foi acusado de perseguir vereadores que se opunham a seu grupo político. Entre as medidas adotadas, estava a demissão em massa dos cargos comissionados vinculados a gabinetes adversários, além do bloqueio de todos os pedidos administrativos.
Os ofícios, requerimentos e cobranças oficiais que deveriam ser encaminhados diretamente à Prefeitura eram sistematicamente ignorados, segundo relatos, por determinação de Wellington e de seu pai, Isaú.
Foram alvos diretos dessas práticas os vereadores Marcelo Lemos, Westerley Cardoso, Janete, Rosana Pereira, Edísio Barroso. Muitos deles não conseguiram renovar seus mandatos, justamente pelo enfraquecimento político causado pelo boicote institucional promovido pelo então presidente da Câmara.
Pedido de desculpas contestado
Na sessão realizada nesta terça-feira, 2, Wellington convocou os parlamentares para um encontro em que, supostamente, buscaria se retratar pelas ofensas. Porém, o gesto foi encarado com desconfiança pela maioria, que avaliou a iniciativa como uma tentativa de sensibilizar os colegas antes da votação decisiva.
Para os vereadores, trata-se de uma estratégia de vitimização, já que, conhecendo o histórico do parlamentar, não acreditam que exista arrependimento genuíno.
Julgamento decisivo
Agora, cabe ao plenário da Câmara de Ji-Paraná decidir o destino político de Wellington. O processo de cassação será conduzido sob a expectativa de que, diferentemente do passado, o julgamento aconteça sem a influência direta de um Wellington sentado na presidência, cenário que, segundo críticos, sempre favoreceu seus próprios interesses e os de seu pai.
A sessão que vai decidir se o vereador Wellington Porgeres Góes da Fonseca, o “Negão do Isaú”, terá ou não o mandato cassado está marcada para a próxima quinta-feira, 04 de setembro de 2025, às 9:00 da manhã.