Em nota sobre RJ, Lula não se solidariza com morte de policiais e a bancada do PT não assina CPI que investigará o Crime Organizado

Em nota sobre RJ, Lula não se solidariza com morte de policiais e a bancada do PT não assina CPI que investigará o Crime Organizado

Em meio à megaoperação policial do Rio de Janeiro, que deixou pelo menos 119 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) emitiu sua primeira nota oficial sobre o episódio. A ação, deflagrada na terça-feira (28), resultou na morte de quatro policiais, mas o texto presidencial omitiu qualquer menção direta às vítimas das forças de segurança.

O presidente anunciou uma reunião com ministros e determinou o envio do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e do diretor-geral da Polícia Federal ao Rio para dialogar com o governador Cláudio Castro (PL). No entanto, a ausência de solidariedade explícita aos policiais abatidos – dois civis e dois militares – foi destacada por sindicatos, que cobravam um gesto de luto oficial do Planalto, que aliás fez um minuto de silêncio na posse do Ministro Guilherme Boulos como novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, no Palácio do Planalto, silêncio este pelas mortes dos civis, incluindo os integrantes das facções que foram a grande maioria.

Paralelamente, a instalação da CPI do Crime Organizado no Senado, anunciada pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil), expôs mais uma controvérsia envolvendo o PT. O requerimento, protocolado em fevereiro e aprovado com 31 assinaturas, não contou com o apoio de nenhum dos nove senadores petistas. A comissão, que será formalmente criada na terça-feira (4), investigará a estruturação de milícias e facções como o CV e o PCC, com prazo de 180 dias e foco em expansão territorial.

A recusa da bancada governista em assinar o pedido reacendeu debates sobre o compromisso do PT com o combate ao crime organizado. Opositores, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), acusaram o partido de "fugir da responsabilidade" em um momento crítico, especialmente após a operação carioca que expôs a fragilidade das instituições. "Querem atingir a espinha dorsal do tráfico, mas boicotam a CPI que poderia desmantelá-la", ironizou Marinho em sessão plenária.